História

O tenentismo e a Coluna Prestes

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O tenentismo foi um movimento que pretendeu reformar a República pela luta armada. Era liderado por jovens oficiais militares, principalmente tenentes, de onde vem seu nome. Os membros do tenentismo reivindicavam:

  • a moralização da administração pública;
  • o fim da corrupção eleitoral;
  • o voto secreto e o funcionamento de uma justiça eleitoral confiável;
  • a defesa da economia nacional contra a exploração de empresários e do capital estrangeiro;
  • a reforma na educação pública, tornando o ensino gratuito e obrigatório para todos os brasileiros.

A maioria das propostas tenentistas tinha a simpatia de parte das classes médias urbanas, dos produtores rurais que não participavam do poder e de alguns industriais.

Acompanhe as ilustrações abaixo:

Logo abaixo há slide com ilustrações da Coluna Prestes.

Veja a aula Revoltas que ocorreram durante a república velha

A primeira revolta tenentista, da qual participaram cerca de 300 militares, foi a Revolta do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, iniciada em 5 de julho de 1922. Liderados pelos tenentes, os homens que serviam no forte tentaram impedir a posse de Artur Bernardes (que governou entre 1922 e 1926). Isso ocorreu porque, durante a campanha presidencial, um ano antes, o jornal carioca Correio da Manhã publicara cartas atribuídas a Bernardes nas quais havia ofensas ao Exército brasileiro. Mais tarde, descobriu-se que tudo não passou de uma fraude. Tropas fiéis ao governo cercaram o forte e, sem condições para resistir, a maioria dos rebeldes se entregou.

Os-Dezoito-do-Forte

No entanto, 17 tenentes e um civil saíram às ruas para combater as tropas do governo. Apenas os tenentes Eduardo Gomes (1896-1981) e Siqueira Campos (1898-1930) sobreviveram, num episódio que ficou conhecido como Os Dezoito do Forte.

No governo de Bernardes ocorreram outras rebeliões tenentistas, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Se em 1922 os tenentes agiam em nome dos militares, nas revoltas de 1924 eles se consideravam representantes de toda a sociedade, lutando contra as oligarquias.

Numa dessas rebeliões, tenentistas liderados pelo general Isidoro Dias Lopes (1865-1949) ocuparam a capital paulista durante 23 dias e enfrentaram combates que levaram mais de 500 pessoas à morte, além de milhares que fugiram da cidade bombardeada. Porém, diante da ofensiva do governo, as tropas tenentistas abandonaram suas posições.

Cerca de mil rebeldes bem armados formaram, então, a coluna paulista, liderada por Miguel Costa (1885-1959). Essa tropa seguiu em direção ao Sul do país ao encontro de outra coluna militar tenentista, liderada pelo capitão Luís Carlos Prestes (1898-1990).

As duas forças uniram-se e decidiram se dirigir ao interior do país, buscando o apoio da população pelos lugares por onde passavam. Surgia, assim, a Coluna Prestes, já que as duas tropas passaram a ser lideradas por Luís Carlos Prestes. Seu objetivo era tentar levantar os trabalhadores do campo contra os grandes fazendeiros e o governo.

Tenentismo e a coluna prestes

Entre 1924 e 1926, os membros dessa coluna percorreram mais de 24 mil quilômetros, atravessando 12 estados brasileiros e escapando da perseguição governamental. Exaustos e sem apoio popular, os poucos homens que ainda permaneciam na coluna decidiram ingressar na Bolívia e, em 1926, desfizeram a tropa. A Coluna Prestes acabou não provocando revoltas capazes de ameaçar seriamente o governo, mas também não foi derrotada.

Declaração de princípios dos líderes da Coluna Prestes

somos contra: os impostos exorbitantes, a incompetência administrativa, a falta de justiça, a mentira do voto, o amordaçamento da imprensa, as perseguições políticas, o desrespeito à autonomia dos estados, a falta de legislação social, o estado de sítio.

Somos a favor: do ensino primário gratuito, da instrução profissionalizante e técnica, da liberdade de pensamento, da unificação e autonomia da justiça, da reforma da lei eleitoral e do fisco, do voto secreto obrigatório, da liberdade sindical, do castigo aos defraudadores do patrimônio do povo e aos políticos corruptos e do auxílio estatal às forças econômicas.

 

 

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