História

A Revolução Francesa Resumo

Durante o governo de Luís XVI, a crise econômica da França agravou-se por causa da participação em vários conflitos externos, sobretudo a Guerra dos Sete Anos e o movimento de independência dos Estados Unidos. Os conflitos geraram dívidas, que ampliaram os problemas sociais. Vários ministros se sucediam para encontrar — sem sucesso — soluções para a crise.

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Na década de 1780, três economistas, entre eles Jacques Turgot, ocuparam o cargo de ministro. O último deles, Charles Alexandre de Calonne, propôs mudanças mais radicais, como o fim da isenção de impostos para a nobreza e o clero. Ameaçados em seus privilégios, esses segmentos forçaram a convocação de uma Assembleia de Notáveis. Ninguém esperava, porém, que a ação dos privilegiados acabasse abrindo espaço para a rebelião dos menos favorecidos.

Com a revolta das elites, o rei substituiu o ministro e convocou os Estados Gerais, uma assembleia de origem feudal, que não se reunia desde 1614. Era controlada pela nobreza e pelo clero, — cada estado tinha direito a um único voto e, por afinidade de interesses, os dois primeiros votavam sempre juntos. Com isso, clero e nobreza pretendiam manter a isenção de impostos e continuar recebendo os tributos pagos pelo terceiro estado.

Dos gabinetes para as ruas

Em maio de 1789, os membros do terceiro estado, liderados pela burguesia, passaram a exigir a contagem das votações por indivíduo. Não obtiveram sucesso, mas em junho, com apoio popular, declararam a separação dos demais estados e formaram a Assembleia Nacional, que tinha por objetivo elaborar uma Constituição para a França. Em represália, o governo impediu que se reunissem na sala dos Estados Gerais.

Os representantes do terceiro estado ocuparam, então, a sala do jogo da pela, prometendo resistir até a elaboração final da Constituição. Diante da pressão, o governo cedeu e admitiu a formação da Assembleia National Constituinte, com participação de todos os estados e voto por indivíduo. Na aparência, aceitava a transformação do governo em monarquia constitucional. Na prática, preparava tropas para retomar o controle da situação.

Os ânimos se acirraram. O conflito era iminente. Em meio à agitação, o terceiro estado criou a Guarda National, com capitais da burguesia. O objetivo era armar a população para resistir aos ataques da monarquia. O movimento se avolumou em tomo do lema liberdade, igualdade e fraternidade.Para piorar, o rei nomeou um ministro conservador. Descontentamento geral.

A Bastilha — fortaleza-símbolo do poder absolutista, onde ficavam presos os opositores da monarquia — foi invadida em 14 de julho. Começava a Revolução. Rapidamente o movimento se alastrou por Paris e por várias províncias francesas. No campo — onde os privilégios das elites eram maiores e mais fáceis de serem percebidos —, a ação intensificou-se. Em muitos casos, camponeses destruíam propriedades e massacravam seus senhores. Esses episódios ficaram conhecidos como Le Gran Peur (o Grande Medo).

O Absolutismo agoniza

Declaração dos direitos do homem e do cidadãoVários estudiosos consideram a Assembleia Nacional Constituinte, que se estendeu de 1789 a 1791, como a primeira fase da Revolução Francesa. Nesse momento destacaram-se ações revolucionárias tanto dos burgueses quanto dos camponeses. Foram os trabalhadores pobres das cidades, ossans culottes, com suas manifestações, por exemplo, que garantiram a radicalização do processo revolucionário.

Enquanto o movimento popular se alastrava, a Assembleia aprovou a abolição de inúmeras leis que marcavam o Antigo Regime. Em 26 de agosto, foi proclamada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Logo no primeiro parágrafo, ficava estabelecida a igualdade dos seres humanos perante a lei. Tratava-se de princípio radicalmente contrário à antiga sociedade, marcada por privilégios da nobreza e do clero. No entanto, não atribuía à nova sociedade qualidades democráticas ou igualitárias.

Nos artigos seguintes, dominavam os ideais burgueses, ao estabelecer, por exemplo, o pleno direito à propriedade privada. Todos os cidadãos adquiriam o direito de participar da elaboração das leis, pessoalmente ou por representantes eleitos de acordo com suas posses. O documento estabelecia ainda o respeito à dignidade dos seres humanos; o direito à resistência contra as arbitrariedades e a opressão política; e o direito de expressar opiniões livremente.

Outras medidas tomadas na Assembleia alteraram a ordem econômica: as propriedades da Igreja foram confiscadas para servir de garantia a uma nova moeda, os assignats. Ao mesmo tempo, os padres foram transformados em funcionários do governo, de acordo com a Constituição Civil do Clero, promulgada em julho de 1790. O papa Pio VI não acatou a decisão, e o clero francês se dividiu. Em 1791, foi proclamada a primeira Constituição francesa, inspirada na Carta promulgada nos Estados Unidos.

A revolução burguesa

Primeira Constituição FrancesaA Constituição estabelecia uma divisão equilibrada entre três poderes: Executivo (exercido pelo rei sem seus poderes absolutos), Judiciário e Legislativo (exercido por deputados eleitos por voto censitário). Essas medidas, entre outras, criaram na França um Estado burguês. Os interesses desse grupo social impunham-se por meio de medidas que limitavam, por exemplo, o voto àqueles que dispunham de certa renda (voto censitário) e proibiam os movimentos e associações de trabalhadores. A burguesia se afastava, assim, do restante do terceiro estado.

Os trabalhos na Assembleia provocaram a formação de diversos grupos políticos: os girondinos, representantes da alta burguesia, sobretudo ligada ao comércio colonial; os feuillants, ligados à burguesia financeira; os cordeliers, da pequena burguesia; e os jacobinos, membros de uma camada média da burguesia. A princípio, estes últimos compunham a ala moderada dos revolucionários e desempenhavam o papel de conciliadores, servindo de elo entre os lados opostos da Assembleia.

Temendo as medidas, boa parte da nobreza emigrou para reinos vizinhos — em poucos anos, cerca de 300 mil nobres deixaram o país. No exterior, angariavam apoio para restaurar o Antigo Regime, como ficaram conhecidos os tempos de governo absolutista. A tarefa não era difícil: as notícias da Revolução deixavam em pânico as elites dos países absolutistas. Os governos da Áustria e da Prússia, por exemplo, assinaram a Declaração de PiUnitz, em que consideravam a possibilidade de intervir na França para eliminar focos revolucionários e restabelecer a ordem.

Comuna insurrecional de ParisEm junho de 1791, a família real francesa tentou fugir para a Áustria, mas acabou presa e reconduzida a Paris, ao ser reconhecida na fronteira. A economia francesa sofria, então, com a inflação. Nas ruas, os sans-culottes exigiam mudanças mais significativas. Nesse cenário, um exército liderado pelos nobres exilados invadiu a França. Eles foram combatidos por tropas armadas pelos jacobinos, chamadas Comuna Insurrecional de Paris. A vitória dos revolucionários veio na batalha de Valmy, próxima a Paris.

Nesse processo, o rei Luís XVI foi deposto, acusado de colaborar com os nobres e de negociar com países estrangeiros a formação de exércitos para restabelecer o Antigo Regime. A república foi proclamada em 22 de setembro de 1792. No dia seguinte, a Assembleia Legislativa foi transformada em Convenção Nacional. Tinha início uma nova fase da Revolução.

A revolução radical

Os integrantes da Convenção Nacional dividiam-se em grupos. A direita do plenário, sentavam-se os girondinos. Eles pretendiam, por um lado, evitar que a Revolução se radicalizasse e, por outro, consolidar as conquistas burguesas. No centro, ficavam os representantes da burguesia sem objetivos claramente definidos. Eram chamados Pântano ou Planície. A esquerda, estavam os membros da Montanha. Eram os jacobinos ligados aos sans-culottes, favoráveis ao avanço das conquistas revolucionárias.

Por causa dessa distribuição, até hoje é comum utilizar os termos centro, direita e esquerda para definir posições políticas. No início dos trabalhos, os girondinos controlavam a Convenção. O cenário mudou ao se tornar público que Luís XVI fizera acordos com os austríacos para conter a Revolução. Os jacobinos exigiram, então, o julgamento do rei: condenado, foi decapitado em janeiro de 1793. A Revolução se radicalizava.

A morte do rei teve consequências imediatas. A supremacia revolucionária passou para os jacobinos. Ao mesmo tempo, o medo se alastrava por diversos reinos europeus. Áustria, Prússia, Holanda, Espanha e Inglaterra uniram-se, então, para formar a Primeira Coligação, com o objetivo de enviar exércitos para lutar contra os revolucionários franceses. Embora não fosse um Estado absolutista, a Inglaterra participou dessa união para conter a ascensão da burguesia francesa e garantir sua hegemonia no continente.

O terror toma conta da Revolução

O período em que os jacobinos assumiram o controle é o mais radical da Revolução Francesa. Eles prenderam vários girondinos e assumiram o governo. Entre seus principais líderes estavam Jean-Paul Marat, George Jacques Danton, Maximilien Robespierre, Louis Saint-Just e Hébert. Em 1793, uma nova carta constitucional acentuava os aspectos democráticos do regime. Instituía, por exemplo, o sufrágio universal masculino, dando direito de voto a qualquer homem, independentemente da renda.

Para governar, os jacobinos criaram o Comitê de Salvação Pública, liderado por Danton, além de outros órgãos, como o Comitê de Salvação Nacional, responsável pela segurança interna do país, e o Tribunal Revolucionário, que julgava os opositores do regime. Ainda em 1793, Marat, um dos líderes revolucionários mais populares, foi morto por Charlote Corday, militante girondina.

Veja a aula Napoleão Bonaparte e a Revolução Francesa.

O fato provocou revolta e a destituição do moderado Danton do Comitê de Salvação Pública. Assumia Robespierre.

Começa a RevoluçãoTinha início a fase conhecida como Terror, com a execução de várias pessoas na guilhotina, entre elas a rainha Maria Antonieta. Muitas das vítimas eram acusadas de simpatizar com a monarquia; outras, porém, pertenciam a grupos de revolucionários ligados tanto aos girondinos quanto aos jacobinos. Dentre as medidas do período destacaram-se a fixação dos preços dos gêneros básicos; o congelamento dos salários; a venda dos bens de nobres e do clero; a abolição da escravidão nas colônias; e a criação do ensino público e gratuito.

Entre os jacobinos, porém, existiam divergências quanto às formas de consolidar a Revolução.

Os radicais, por exemplo, queriam ampliar o uso da violência. Os indulgentes, por sua vez, liderados por Danton, desejavam encerrar as prisões e as execuções sumárias. Robespierre ordenou a execução dos líderes dos dois grupos. Perdeu por isso grande parte do apoio popular.

O cenário possibilitou a tomada do poder pela alta burguesia girondina. Começava, assim, a chamada reação termidoriana (1794-1795). Para controlar os sans-culottes, extinguiu-se o poder do Comitê de Salvação Pública. Muitos foram perseguidos e executados, inclusive Robespierre. Uma nova Carta constitucional retomava o voto censitário. Criava-se também o governo do Diretório, formado por cinco membros escolhidos pelos deputados.

O alívio das elites

0 período do Terror foi o mais radical da Revolução Francesa. Ao mesmo tempo em que se intensificavam as mudanças sociais, inúmeras pessoas encontravam a morte na guilhotina. Com o final do período, uma onda revisionista tomou conta da França, sobretudo entre os grupos de elite.

Essa onda trouxe novamente para os armários dos franceses mais abastados as roupas extravagantes, com joias, babados e cores. A vida social também voltou aos antigos ares. Restaurantes, casas de jogos e teatros teriam, mais uma vez, suas casas lotadas.

Os bailes em homenagem às vítimas da guilhotina fariam enorme sucesso. Acessório obrigatório dessas festas eram os lenços vermelhos amarrados no pescoço. 0 cabelo das mulheres deveria estar preso, deixando o pescoço à mostra. Algumas chegavam até a cortar o cabelo na altura do queixo, exatamente como era feito quando alguém de cabelos compridos era guilhotinado.

Para acompanhar o clima, iriam ocorrer várias tentativas de restaurar o poder monárquico com o rei Luís XVII. Elas, porém, acabariam frustradas com sua morte, provocada pela tuberculose, aos 10 anos de idade. As esperanças dos monarquistas se voltaram, então, para Luís XVIII. Enquanto isso, a maioria da população francesa enfrentava um rigoroso inverno, que provocou mais uma vez a falta de pão. Temendo outra revolução, o governo prendeu só nesse período cerca de 3 mil pessoas.

Mudança: o resumo da Revolução

Em dez anos de Revolução, a França se transformara radicalmente. Grande parte dos antigos privilégios da nobreza e do clero foi extinta. O corporativismo urbano também desapareceu e o livre comércio ganhou força, em uma França cada vez mais burguesa. A partir daí, o país trilharia os caminhos da sociedade industrial, do pleno capitalismo.

Mas a Revolução não transformou apenas a França. Criou as bases políticas do mundo contemporâneo. Como afirmou o historiador Eric Hobsbawm, ela forneceu o combustível, os ideais, para muitas outras revoluções em todo o mundo. Formou ou deu novos sentidos, por exemplo, a várias palavras comuns nos dias de hoje, como nacionalismo, cidadania, povo.

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